Chamada de dossiê 2019

HUMANIDADE, TEMPO E TRANSCENDÊNCIA: OLHARES MULTIDISCIPLINARES SOBRE O LEGADO CULTURAL DE STAN LEE (1922-2018)

Ao longo da segunda metade do Século XX e das primeiras décadas do Século XXI as histórias em quadrinhos de super-heróis se tornaram uma das mídias mais populares e referenciais para a cultura ocidental. Representando o ser humano em todas as suas potencialidades, bem como em todas as suas perversidades, os super-heróis são a transcendência da condição ontológica e as narrativas por eles protagonizadas são narrativas simbólico-mitológicas dos tempos em que foram produzidas. Nesse sentido, o universo ficcional criado e organizado por Stan Lee apresenta características que se tornaram referenciais para a superaventura e para as adaptações da Nona Arte para mídias como cinema e televisão.

O Universo Marvel é caracterizado por três questões peculiares: as aventuras ocorrem em um universo compartilhado entre personagens de diferentes revistas em quadrinhos, o tempo tem efeito sobre os personagens e todos os super-heróis apresentam uma faceta humana que extrapola a simples “identidade secreta”. As três características colocam personagens de natureza extremamente fantasiosa sob o jugo da racionalidade e da verossimilhança, aproximando-os de maneira inusitada do leitor e, atualmente, do espectador de cinema. Ao colocar todos os personagens em um único universo, a Marvel elabora uma expectativa realista para suas histórias, mostrando que as atividades de um super-herói pode repercutir positiva ou negativamente entre seus pares, com alguns personagens angariando aliados e outros sendo perseguidos e se tornando párias uniformizados, com ou sem super-poderes. Ao desenvolver narrativas ordenadas cronologicamente, a Marvel precisa apresentar seus personagens lidando com as consequências de seus atos, bem como mostrá-los em constante processo de amadurecimento, com mudanças de postura, uniformes e poderes, superando o paradigma da imutabilidade super-heróica. Finalmente, ao destacar as características humanas dos superseres, a Marvel desconstrói a narrativa da identidade secreta, mostrando que a “vida comum” de um super-herói é sua verdadeira vida e não o contrário. Isso tem um efeito reverso sobre o leitor, que identifica uma dimensão transcendente no mais rotineiro cotidiano.

Considerando que estas elaborações partiram da iniciativa de Stan Lee, à frente da Editora Marvel, no final da Década de 1950, desejamos propor com esse dossiê a convergência de diversos olhares sobre o legado cultural deste editor e roteirista norte-americano. Os artigos podem ter vários campos de conhecimento como ponto de partida, devendo apresentar como proposta a análise de obras, personagens, fatos ou a própria biografia de Stan Lee. As orientações quanto à formatação, envio da proposta e avaliação se encontram no link (https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Dialogo/about/submissions) de nossa revista.

Submissão até o dia 01/07/2019.

 

HUMANITY, TIME AND TRANSCENDENCE: MULTIDISCIPLINARY VIEWS ON STAN LEE'S CULTURAL LEGACY (1922-2018)

Throughout the second half of the 20th century and the first decades of the 21st century, superhero comics have become one of the most popular and referential media for Western culture. Representing the human beings in all their potentialities, as well as in their own perversities, the superheroes are a transcendence of the ontological condition and as narratives by them are symbolic-mythological narratives of the times in which they were produced. In this purport, the fictional universe created and organized by Stan Lee presents characteristics that have become references for the superadventure and for the adaptations of the Ninth Art for media like cinema and television.

The Marvel Universe is characterized by three peculiar issues: the adventures occur in a universe shared among characters from different comic books, time affects the charactersand all superheroes present human peculiarities that goes beyond the simple "secret identity". These three characteristics put extremely fanciful nature characters under the subjection of rationality and verisimilitude, bringing them in an unusual way to the reader and, nowadays, to the cinema viewer. When placed all the characters in a single universe, Marvel makes a journey through their stories, showing that a superhero's activities can have positive or negative repercussions among their peers, with some characters garnering allies and others being chased making pariah uniforms, with or without superpowers. In developing chronologically ordered narratives, Marvel must present his characters dealing with the consequences of their acts, as well as show them in a constant process of maturation, with changes of posture, uniforms and powers, surpassing the paradigm of super heroic immutability. Finally, in highlighting the human characteristics of the superbeings, Marvel deconstructs the narrative of the secret identity, showing that the "common life" of a superhero is his true life, not the opposite.

This has a reverse effect on the reader, which identifies a transcendent dimension in the ordinary daily routine.           Considering that these elaborations originated by Stan Lee initiative at the head of Marvel publisher, in the end of the 1950s, we wish to propose with this dossier the convergence of several perspectives on the cultural legacy of this North American publisher and writer.

The articles may have several fields of knowledge as a starting point, and should present as a proposal the analysis of Stan Lee’s works, characters, facts or his own biography. Guidelines on formatting, submission of proposal and evaluation are on the link (https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Dialogo/about/submissions) of our magazine.

Submission until  07/01.