Vozes que rompem o silêncio

uma intervenção literária a partir da obra Olhos d’Água de Conceição Evaristo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18316/dilogo.v1i57.12793

Palavras-chave:

Educação de Jovens e Adultos, Literatura, Letramento literário, Conceição Evaristo, Lei nº 10.639/03

Resumo

Este artigo tem como objetivo tecer um relato acerca de uma proposta pedagógica de letramento literário e leitura crítica entre alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) a partir da obra Olhos d’Água da autora Conceição Evaristo. Para tal, a metodologia utilizada é de abordagem qualitativa, a partir do método descritivo do tipo relato de experiência. A narrativa parte de uma perspectiva pedagógica decolonial em que suleamos para o desafio de se pensar e construir novos caminhos para o ensino, e formular práticas pedagógicas que levem em conta as atuais demandas sociais de valores humanos e justiça social. Com base em uma sequência didática estruturada com encontros dialógicos, sensíveis e interativos, a proposta buscou articular as experiências de vida dos alunos com as temáticas da identidade, raça, gênero e desigualdade social, ampliando o repertório cultural e incentivando práticas de leitura e produção textual. Concluímos que ao considerar a realidade dos sujeitos da EJA, historicamente marginalizados, valorizou-se a potência de suas narrativas, emaranhada na escolha da obra de Conceição Evaristo pela sua capacidade de espelhar as vivências dos discentes, e assim, fomentar a autoestima, o pertencimento e a construção de um olhar crítico sobre o mundo. A proposta reafirmou o papel da escola como espaço de acolhimento e emancipação, e da literatura como ferramenta de resistência e reconstrução identitária.

Biografia do Autor

Alexandra Maria de Andrade, Secretaria de Educação do Estado do Ceará

Mestra em Letras pelo Programa de Mestrado Profissional em Letras (ProfLetras) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) campus Cajazeiras. Especialista em Ensino de Língua Portuguesa pela UECE. Graduação em Letras Habilitação em Português/Inglês e suas respectivas Literaturas pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Atua como professora da rede estadual do Ceará, lotada no Centro de Educação de Jovens e Adultos Governador Luiz Gonzaga da Fonseca Mota (CEJA), no Município de Iguatu.

Rayany Gonçalves Pereira, Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Professora de Educação Básica da Prefeitura de Iguatu. Mestranda em Educação pela Universidade Estadual de Ceara (UECE).

Arliene Stephanie Menezes Pereira Pinto, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE); Universidade Estadual do Ceará (UECE.)

Doutora em Educação pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Mestra em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Graduada em Licenciatura plena em Educação Física pela UECE. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Professora do Programa de Pós-graduação em Educação (UECE), do Programa de Mestrado Profissional em Educação Física em Rede Nacional (Proef) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Programa de Mestrado Profissional em Educação Inclusiva (Profei-IFCE). Líder do grupo de pesquisa Corponexões: corpo, cultura, sociedade e relações étnico-raciais (IFCE).

Symon Tiago Brandão de Souza, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)

Doutorando e mestre em Educação pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Física Escolar (GEPEFE/UECE), e do grupo de pesquisa Corponexões: corpo, cultura, sociedade e relações étnico-raciais (IFCE).

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Publicado

2025-08-01

Edição

Seção

Relatos de experiência profissional