Vozes que rompem o silêncio
uma intervenção literária a partir da obra Olhos d’Água de Conceição Evaristo
DOI:
https://doi.org/10.18316/dilogo.v1i57.12793Palavras-chave:
Educação de Jovens e Adultos, Literatura, Letramento literário, Conceição Evaristo, Lei nº 10.639/03Resumo
Este artigo tem como objetivo tecer um relato acerca de uma proposta pedagógica de letramento literário e leitura crítica entre alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) a partir da obra Olhos d’Água da autora Conceição Evaristo. Para tal, a metodologia utilizada é de abordagem qualitativa, a partir do método descritivo do tipo relato de experiência. A narrativa parte de uma perspectiva pedagógica decolonial em que suleamos para o desafio de se pensar e construir novos caminhos para o ensino, e formular práticas pedagógicas que levem em conta as atuais demandas sociais de valores humanos e justiça social. Com base em uma sequência didática estruturada com encontros dialógicos, sensíveis e interativos, a proposta buscou articular as experiências de vida dos alunos com as temáticas da identidade, raça, gênero e desigualdade social, ampliando o repertório cultural e incentivando práticas de leitura e produção textual. Concluímos que ao considerar a realidade dos sujeitos da EJA, historicamente marginalizados, valorizou-se a potência de suas narrativas, emaranhada na escolha da obra de Conceição Evaristo pela sua capacidade de espelhar as vivências dos discentes, e assim, fomentar a autoestima, o pertencimento e a construção de um olhar crítico sobre o mundo. A proposta reafirmou o papel da escola como espaço de acolhimento e emancipação, e da literatura como ferramenta de resistência e reconstrução identitária.
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