A escrita na formação docente:

laboratório estético com o cinema em sala de aula e a subjetivação das experiências

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18316/recc.v30i3.12554

Resumo

O artigo problematiza a escrita na formação docente, destacando seu papel na constituição de si. A partir dos estudos da cognição, a escrita é considerada ferramenta auxiliar na organização do pensamento. Neste trabalho, porém, ela é considerada uma estratégia pedagógica visando a subjetivação das experiências. A concepção de escrita discutida aproxima-se da escrita de si, de Foucault, entendida não como autodescrição, mas como escrever-se, no sentido do movimento inerente à constituição de si. Metodologicamente, a proposta pedagógica se apoia no laboratório estético, considerado um dispositivo capaz de bloquear as atividades de categorização, responsáveis por dificultar processos de singularização. Entre as atividades desenvolvidas no laboratório, destacam-se o cinedebate e a escrita de si, por favorecerem experiências capazes de construir relações estéticas, fundamentais para o desenvolvimento de processos cognitivos diferentes da recognição. Os cines debates e os textos produzidos por estudantes de uma disciplina do curso de Pedagogia mobilizaram outros regimes atencionais, permitindo lidar com a surpresa, com a diferença, com o que a experiência sensível e as emoções provocaram. A utilização do laboratório estético na formação docente contribuiu para que a escrita funcionasse como produção de sentido para o que se aprende e não como forma de reproduzir o que foi transmitido como conteúdo curricular. Por fim, o artigo afirma a busca por um modo de educar que inclua as relações estéticas, negligenciadas pela perspectiva cognitivista, pois por meio delas é possível o desenvolvimento da sensibilidade e da afetividade, aspectos fundamentais para a ação do pensamento e para a singularização das subjetividades.

Biografia do Autor

Sirius, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Luiz Antonio Saléh Amado - Doutor em Psicologia Social e Mestre em Psicologia Social pelo PPGPS/UERJ, Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense FEBF/UER e no Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas e Formação Humana PPFH/UERJ.

Sirius Ferreira de Carvalho - Bacharel em Antropologia pela UFF, graduando em Pedagogia na FEBF/UERJ e bolsista de I.C.

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Publicado

2025-12-18

Edição

Seção

Artigos