A Alhambra: Percepção, espaço e tempo

Ricardo Hernández Soriano

Resumo


As cúpulas de lanterna das salas de Dos Hermanas y Abencerrajes e as três cúpulas da Sala de los Reyes expressam a passagem do tempo evocando o movimento circular do firmamento através do ritmo diário das luzes e sombras que trespassam suas janelas; a estrutura tridimensional dos moçárabes acentua a percepção do giro em razão do arranjo multifacetado de suas paredes que, instantaneamente, tingem suas superfícies com a trajetória do sol. Tornam-se essenciais os valores perceptivos e fenomenológicos que invadem suas salas, o tempo da Alhambra deve transcender esta consideração cíclica que pressupõe a existência como mera sucessão de episódios que se desenvolvem nas três dimensões do espaço. O tempo que a Alhambra exige surge da leitura do monumento como a soma de unidades que podem ser interpretadas de forma autônoma, mas irremediavelmente expostas ao movimento; salas construídas em épocas diferentes, sem um predeterminado esquema de composição global, mas que encontram na experimentação espacial uma continuidade legível de sua capacidade de englobar as várias épocas históricas que a tornaram possível. A velocidade das comunicações que atualmente regem o funcionamento de um mundo repleto de imagens instantâneas requer a leitura da Alhambra como um território a ser explorado e descoberto, como uma expressão guiada de movimento e, portanto, de tempo. Há que se ressaltar a instabilidade que as mudanças econômicas e a falta de referências culturais provocam em uma sociedade convulsionada, ressaltando-se a condição transcendente da Alhambra enquanto um produto de adições sucessivas que foram capazes de interpretar todas as contemporaneidades precedentes para dotá-lo de profundidade temporal. É a exposição do tempo da Alhambra e sua capacidade de fundir épocas históricas desde a experimentação às que ratificam hoje a validade dos princípios que a tornaram possível.


Palavras-chave


Tempo; Alhambra; Moçárabes; Salas com Lanterna; Palácio de los Leones.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18316/mouseion.v0i29.4674

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ISSN: 1981-7207

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