ENSINO CONTRA-HEGEMÔNICO DA DIVERSIDADE NA FORMAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO
UMA ANÁLISE DE PERCEPÇÕES DISCENTES
DOI:
https://doi.org/10.18316/rcd.v18i50.13219Palavras-chave:
Diversidade. Administração. Crítica Organizacional. Pedagogia Crítica. Teoria Queer.Resumo
As discussões sobre diversidade nas organizações têm se expandido, mas ainda são frequentemente orientadas por abordagens funcionalistas que desconsideram as relações de poder e as desigualdades que as atravessam. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo analisar como estudantes de Administração se apropriam de perspectivas teórico-críticas do ensino em diversidade, conduzido sob as bases da Crítica Organizacional, da Pedagogia Crítica e da Teoria Queer, para criar um novo olhar quanto à gestão e às organizações. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza descritiva, realizada com 32 estudantes de uma universidade federal brasileira, com dados coletados por meio de observação participante, questionários abertos e registros de interações em sala de aula, analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados evidenciam um deslocamento em relação à lógica gerencial tradicional, na medida em que os estudantes passam a compreender a diversidade como questão ética e política, e não como instrumento de gestão. Observa-se a emergência de uma leitura crítica das práticas organizacionais, especialmente quanto à dissociação entre discurso e prática, bem como a ressignificação do papel do gestor como mediador da diversidade e agente de transformação. Ademais, a experiência formativa produz efeitos concretos, como a revisão de práticas discursivas, maior capacidade de problematizar preconceitos naturalizados e o engajamento em posicionamentos críticos diante de situações discriminatórias. O estudo contribui ao evidenciar o potencial das abordagens teórico-críticas no ensino da diversidade em Administração, indicando caminhos para a formação de profissionais mais sensíveis às dimensões sociais, políticas e identitárias que atravessam as organizações.
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