O caso Simone André Diniz e a realidade das empregadas domésticas negras no Brasil

uma análise a partir da colonialidade do poder e da interseccionalidade de raça, gênero e classe

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18316/redes.v14i1.11981

Palavras-chave:

Simone André Diniz vs. Brasil, Trabalho doméstico, Interseccionalidade, Colonialidade do Poder, Descolonialidade

Resumo

O presente texto versa sobre uma análise crítica dos direitos trabalhistas (e humanos) das empregadas domésticas negras no Brasil. O objetivo geral deste estudo é discutir, a partir da crítica descolonial e do feminismo negro, o lugar do trabalho doméstico remunerado no Brasil, prezando pela interseccionalidade das estruturas de poder raça-classe- gênero e tendo como paradigma o “Caso 12.001: Simone André Diniz vs. Brasil”, julgado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O problema da pesquisa é: em que medida os direitos trabalhistas das empregadas domésticas no Brasil têm sido promovidos e qual a relação desta consagração de direitos com estruturas de poder? A hipótese inicial é de que, embora atualmente haja garantias jurídicas formais asseguradas às empregadas domésticas no País, fato é que o debate é maior, englobando a intersecção entre gênero, raça e classe. A metodologia empregada é de pesquisa dedutiva, com pesquisa bibliográfica e revisão da literatura sobre o tema, de natureza exploratória e descritiva. Infere-se que a maioria dos empregados domésticos, que são mulheres negras pobres, vivem à margem da efetivação de direitos, sendo isso reflexo, entre outros aspectos, do longo passado escravocrata brasileiro, que enraizou tanto o racismo estrutural quanto o institucional no País. Conclui-se que há intersecção de estruturas como gênero, raça e classe na situação do emprego doméstico brasileiro - que, no interior da colonialidade de poder, representam a base de discriminações que ainda não foram superadas. Prezando, então, pelo descolonialismo e pelas leituras das obras de Kimberlé Crenshaw, Lélia Gonzalez, e Gayatri Chakravorty Spivak, pretende-se contribuir com esta discussão, que demanda um olhar sensível, renovado e com intenção de emancipação para este labor muito marcado pela violência e pela exclusão.

Biografia do Autor

Taciana Cecília Ramos, Universidade Federal de Uberlândia - UFU

Técnica Administrativa em Educação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Possui Mestrado em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Uberlˆândia - PPGDI/FADIR/UFU,  especialização em Direito do Trabalho e Previdenciário pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), e Graduação em Direito pela UFU. E-mail: tceciliaramos@gmail.com.

Tatiana de A. F. R. Cardoso Squeff, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

é professora adjunta de Direito Internacional na UFRGS. Professora do programa de pós-graduação em Direito da UFU e do programa de pós-graduação em relações internacionais da UFSM. Doutora em Direito Internacional pela UFRGS, com um período sanduíche junto a Universidade de Ottawa. Mestra em Direito Público pela Unisinos, com um período de estudos junto a Universidade de Toronto. Bolsista CAPES e DFAIT (department of foreign affairs and international trade, Canada). Membro da ILA-Brasil e associada da Asadip - Asociación Americana de Derecho Internacional Privado. Pesquisadora do NETI/USP e pós-doutoranda em direitos e garantias fundamentais na FDV - Faculdade de Direito de Vitória. Expert brasileira para a HCCH - Hague conference on private international law, nomeada pelo Ministério da Justiça. Perita para a Corte IDH, indicada pela Defensoria Pública da União. Coordenadora do grupo de pesquisa em Direito Internacional Crítico - DiCri/CNPq.

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2026-05-18

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Artigos