Entre o direito positivo e a dialética negativa: uma sociologia jurídica negativa como caminho possível para a pesquisa empírica crítica
DOI:
https://doi.org/10.18316/redes.v11i3.8378Palavras-chave:
Sociologia Jurídica, Constitucionalismo Garantista, Dialética negativa, Pesquisa Documental,Resumo
Este artigo aborda a possibilidade de uma pesquisa sociológica negativa sobre o direito a partir de uma conjunção entre o juspositivismo garantista de Luigi Ferrajoli e a dialética negativa de Theodor Adorno. O objeto é a pergunta sobre a viabilidade de uma teoria social que potencialize as capacidades críticas da pesquisa sociojurídica a partir da pergunta sobre a não-identidade, com a apresentação de alguns conceitos críticos como primeiros passos de uma sociologia jurídica negativa. A dialética negativa em Theodor Adorno aprofunda o potencial negativo e crítico da dialética hegeliana, e é construído a partir da noção de que os objetos não se dissolvem nos conceitos, sendo este movimento entre conceitos e os objetos que eles compreendem um movimento dialético de negação que deixa sobras. Estas sobras, âmbitos de não-identidade, se combinam ao constitucionalismo garantista para a pergunta sobre os espaços de não identidade entre o direito e a sociedade, com o cariz crítico inerente ao pensamento garantista e a atenção à pergunta sobre a (in)efetividade e aos âmbitos de (i)legitimidade jurídica. A partir destes pressupostos, o artigo também trabalha a relação desta teoria apresentada com a pesquisa documental, em especial a jurisprudencial. Os resultados apontam para vários benefícios de uma pesquisa sociojurídica negativa pela viabilidade de apresentar inúmeros âmbitos de negatividade inerentes aos espaços entre direito e sociedade, enriquecendo a ciência jurídica com os objetos aos quais os conceitos jurídicos tentam compreender, e ainda preservando – e dando o protagonismo – aos excessos e às sobras, não atendidos pelos conceitos, e que devem ser o objeto da sociologia jurídica negativa.Referências
ADORNO, Theodor. Dialética Negativa. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.
______. Lectures on Negative Dialectics: Fragments of a lecture course 1965/1966. Cambridge: Polity, 2008.
BOBBIO, Norberto. Locke e il diritto naturale. Torino: G. Giappichelli, 2017.
BROWN, Wendy. Undoing the Demos: Neoliberalism’s Stealth Revolution. Nova Iorque: Zone Books, 2015.
CADEMARTORI, Sérgio Urquhart de. Estado de Direito e Legitimidade: Uma Abordagem Garantista, 2. ed. rev. e ampl. Campinas: Millenium, 2007.
DENORA, Tia. After Adorno: Rethinking Music Sociology. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.
FERRAJOLI, Luigi. Constitucionalismo más allá del estado. Madrid: Trotta, 2018.
______. Derecho y razón: Teoría del garantismo penal. Madrid: Trotta, 1995.
______. Principia iuris. Teoría del derecho y de la democracia: 1. Teoría del derecho. Madrid: Trotta, 2011.
HOLLOWAY, John. Why Adorno? In: HOLLOWAY, J.; MATAMOROS, F.; TISCHLER, S. Negativity and Revolution: Adorno and Political Activism. Londres: Pluto, 2009. p. 12-17.
KUHN, Lucas Bortolini. Da separação à autonomia recíproca entre Direito e Moral: O constitucionalismo garantista e a jurisdição constitucional democrática. Dissertação (Mestrado em Direito) – Programa de Pós-Graduação em Direito, Universidade La Salle, Canoas, 2019, 110f.
NOBRE, Marcos. A dialética negativa de Theodor W. Adorno: A ontologia do estado falso. São Paulo: Iluminuras, 1998.
REGINATO, A. D. A. Uma introdução à pesquisa documental. In: MACHADO, Maíra Rocha. Pesquisar Empiricamente o Direito. São Paulo: Redes de Estudo Empíricos em Direito, 2017. p. 189-224.
TISCHLER, Sergio. Adorno: The Conceptual Prison of the Subject, Political Fetishism and Class Struggle. In: HOLLOWAY, J.; MATAMOROS, F.; TISCHLER, S. Negativity and Revolution: Adorno and Political Activism. Londres: Pluto, 2009. p. 103-121.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Revista Eletrônica Direito e Sociedade - REDES
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Autores que submetem seus manuscritos para serem publicados na Revista REDES concordam com os seguintes termos:
Os autores declaram ter ciência de que mantém os direitos autorais concedendo à REDES o direito à publicação.
Os autores declaram ter ciência de que o trabalho submetido será licenciado sob a Licença Creative Commons atribuição não-comercial que permite o compartilhamento do artigo com reconhecimento da autoria e publicação nesta revista.
Os autores declaram ter ciência que em virtude de os artigos publicados nesta revista tem acesso público e gratuito.
Os autores declaram, sob as penas da lei, que o texto é inédito e original e que têm ciência de que identificada a existência de plágio, os autores plagiados serão informados – para querendo, tomarem as medidas legais nas esferas cível e criminal – e, os autores do plágio terão seu acesso à revista bloqueado.
Os autores declaram que – em caso de coautoria – todos contribuíram significativamente para a pesquisa.
Os autores obrigam-se a fornecer retratações e (ou) correções de erros em caso de eventual detecção.
Os autores obrigam-se a não publicar o texto submetido a REDES em outra Revista eletrônica (ou não).
A Revista Eletrônica Direito e Sociedade - REDES - está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/redes/about/submissions#copyrightNotice.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em http://creativecommons.org/.