Crenças de Profissionais de Saúde Mental Sobre a Sexualidade das Pessoas com Transtornos Mentais

Jamille Maria de Araujo Figueiredo, Elder Cerqueira-Santos

Resumo


Objetivo: Buscou-se investigar as crenças de profissionais, com nível superior que atuam em serviços de saúde mental, acerca da sexualidade das pessoas com transtornos mentais severos.

Materiais e Métodos: Participaram 59 profissionais, do presente estudo quantitativo, tipo survey, realizado a partir da aplicação de questionários e escalas psicométricas em plataforma online. Realizou-se estatísticas descritivas, testes t e correlações de Pearson.

Resultados e discussão: Não foram observadas correlações significativas entre conservadorismo quanto à sexualidade e o preconceito contra a diversidade sexual e de gênero com as crenças sobre como as pessoas com transtornos graves vivenciam a sexualidade ou com as crenças sobre como a sociedade julga a dimensão sexual dessa população. Entretanto, profissionais que atuam há mais tempo na saúde mental apresentaram crenças mais negativas sobre a sexualidade dos indivíduos com transtornos mentais.

Conclusão: Esse panorama indica a necessidade de investimento em educação permanente no contexto assistencial, contemplando os desafios relacionados à sexualidade.


Palavras-chave


Sexualidade; Saúde mental; Transtornos mentais

Texto completo:

PDF

Referências


Jager J, Greevenbroek RV, Nugter A, Os JV. Sexual Expression and It’s Determinants, in People Diagnosed with Psychotic Disorders. Community ment. health j.. 2018; 54(7): 1082–8.

Östman M. Low satisfaction with sex life among people with severe mental illness living in a community. Psychiatry res. 2014, 216(3): 340-345.

Segalovich J, Doron A, Behrbalk P, Kurs R, Romem P. Internalization of stigma and self-esteem as it affects the capacity for intimacy among patients with schizophrenia. Arch. psychiatr. nurs. 2013; 27(5): 231-4. 4. Ozcan NK, Boyacıoğlu N, Enginkaya S, Dinç H, Bilgin H. Reproductive health in women with serious mental illnesses. J. clin. nurs.. 2014, 23(9-10): 1283-1291.

Barbosa JAG, Souza MCMR, Freitas MIF. Violência sexual: narrativas de mulheres com transtornos mentais no Brasil. Rev. panam. salud pública. 2015; 37(4-5): 273-8.

Barbosa JAG, Souza MCMR, Freitas MIF. A abordagem da sexualidade como aspecto essencial da atenção integral de pessoas com transtornos mentais. Ciênc. Saúde Colet.. 2015; 20 (7): 2165-72.

Mann CG, Monteiro S. Sexualidade e prevenção das IST/aids no cuidado em saúde mental: o olhar e a prática de profissionais no Município do Rio de Janeiro, Brasil. Cad. saúde pública. 2018; 34(7): e00081217.

Guimarães MDC, Campos LN, Melo APS, Carmo RA, Machado CJ, Acurcio FA. Prevalence of HIV, syphilis, hepatitis B and C among adults with mental illness: a multicenter study in Brazil. Braz. J. Psychiatry. 2009; 31(1): 43-7.

Das S, Agrawal A. Clozapine-induced delayed ejaculation. Indian J Psychol Med. 2017; 39(6): 828.

Just MJ. The influence of atypical antipsychotic drugs on sexual function. Neuropsychiatr. dis. treat. 2015; 11(7): 1655-61.

World Health Organization (WHO). Mental Health Atlas 2017 [internet]. 2018 [citado em 28 de maio de 2020]. Disponível em: https://www.who.int/mental_health/evidence/atlas/mental_health_atlas_2017/en/

World Health Organization (WHO). Mental disorders [internet]. 2018 [citado em 28 de maio de 2020]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-disorders13. World Health Organization (WHO). Mental health action plan 2013-2020 [internet]. 2013 [citado em 19 de abril de 2020] Disponível em: https://www.who.int/mental_health/action_plan_2013/en/14. Brasil. Agência Nacional de Saúde Suplementar (Brasil). Diretrizes Assistenciais para a Saúde Mental na Saúde Suplementar. Rio de Janeiro: ANS, 2008.

World Health Organization (WHO). Defining sexual health: report of a technical consultation on sexual health [internet]. 2006 [citado em 19 abril de 2020] Disponível em: https://www.who.int/reproductivehealth/publications/sexual_health/defining_sexual_health.pdf

Brito FP, Oliveira CC. A sexualidade negada ao doente mental: percepções da sexualidade do portador de doença mental por profissionais de saúde. Ciênc. cogn. 2009; 14 (1): 246-54.

Urry K, Chur-Hansen A. Who decides when people can have sex? Australian mental health clinicians' perceptions of sexuality and autonomy. J. health psychol.. 2018:1-12. 18. Quinn C, Happell B. Talking About Sexuality With Consumers of Mental Health Services. Perspect psychiatr c. 2013; 49(1): 13-20.

Detomini VC, Rasera EF, Peres RS. Sexualidade e saúde mental: vivências, serviços e estigmas. Rev. SPAGESP. 2016; 17(2): 81-95.

Pandor A, Kaltenthaler E, Higgins A, Lorimer K, Smith S, Wylie K, Wong R. Sexual health risk reduction interventions for people with severe mental illness: a systematic review. BMC Public Health. 2015,15:138.

Quinn C, Happell B, Welch A. Talking about sex as part of our role: Making and sustaining practice change. Int J Ment Health Nurs. 2013, 22(3): 231-240.22. Maciel SC, Pereira CR, Lima TJS, Souza LEC. Desenvolvimento e Validação da Escala de Crenças sobre a Doença Mental. Psicol. reflex. crit.. 2015 28 (3): 463-473.

Figueiredo JMA. Sexualidade das pessoas com transtornos mentais severos na perspectiva de profissionais de saúde mental e usuários de centros de atenção psicossocial (CAPS). Dissertação de mestrado, Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão-SE, 2019.

Jablonski, B. Crenças e Crendices Sobre Sexualidade Humana. Psicol. teor. pesqui. 1998, 14 (3), 209-218.

Pasquali L, Souza MSC, Tanizaki TY. Escala de atitude diante da sexualidade. Psicol. teor. pesqui. 1985, 1 (2): 175-194.

Costa AB, Bandeira D R, Nardi HC. Avaliação do preconceito contra diversidade sexual e de gênero: construção de um instrumento. Estud. psicol. (Campinas). 2015; 32(2): 163-172.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde Mental. Caderno HumanizaSUS, 5. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.

Ministério da Saúde (Brasil). Portaria nº 1996, de 20 de agosto de 2007. Dispõe sobre as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Diário oficial da União 20 ago 2007.

Figueiredo JMA, Barros LM. A sexualidade como parte do cuidado integral à saúde dos moradores das residências terapêuticas de Aracaju-SE. Tempus (Brasília). No prelo 2017.

Simões CHD, Fernandes RA, Aiello-Vaisberg TMJ. O profissional de saúde mental na reforma psiquiátrica. Estud. psicol. (Campinas). 2013, 30(2): 275-282.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à saúde. DAPE. Coordenação geral de saúde mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Documento apresentado à conferência regional de reforma dos serviços de saúde mental: 15 anos depois de Caracas. Brasília: OPAS, 2005.




DOI: http://dx.doi.org/10.18316/sdh.v9i3.7754

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


e-ISSN: 2317-8582

UNILASALLE - Av. Victor Barreto, 2288 Centro Canoas/RS Cep: 92.010-000