Ancestralidade: limites censitários e médicos

Rodrigo Grazinoli Garrido, Eduardo Leal Rodrigues

Resumo


A população humana não é homogênea e isso se reflete na capacidade física e nos riscos de aquisição de doenças. É provável que cada ser humano tenha um risco único, baseado em sua herança genética associada aos fatores ambientais. Dessa forma, atualmente, pesquisas buscam caracterizar a aptidão esportiva e o risco a doenças, no âmbito individual e populacional. Além disso, as características físicas pouco se relacionam com a ancestralidade genética. Na população brasileira, por exemplo, diversas pesquisas mostram a baixa correlação entre fenótipo cor de pele e a origem genética. A despeito destas evidências, ainda é comum o uso de classificações raciais voltadas ao binômio cor e ancestralidade biogeográfica. O trabalho buscou apresentar evidências de que a autodeclaração e a determinação de traços físicos ancestrais não se coadunam com a ancestralidade molecular, sobretudo do povo brasileiro. Além disso, o uso de informações de ancestralidade para predições médicas pode apresentar importantes limitações.

Palavras-chave: Etnicidade. Predisposição a doenças. População brasileira.

 

Ancestrality: census and medical limits

Abstract

The human population is not homogeneous and this is reflected in physical performance and risk of acquiring diseases. It is likely that every human being has a single risk, based on their genetic inheritance associated with environmental factors. Thereby, nowadays, epidemiological studies seek to characterize and sports performance and disease risk at the individual and population level, thus being able to make plans for physical improvement, disease prevention and therapeutic strategies. In the Brazilian population, eg, different researches have showed the low correlation between skin color phenotype and genetic ancestry. Despite of these evidences, the human racial classification, still has directed to color and biogeographical ancestry binomial. Work sought to present evidences that self-declaration and determination of physical traits ancestors are not consistent with the molecular ancestry, especially in the Brazilian people. Furthermore, the use of ancestors physical traits information for medical predictions can present significant limitations.

Keywords: Ethnicity. Predisposition to disease. Brazilian population.

 


Palavras-chave


Etnicidade. Predisposição a doenças. População brasileira.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18316/2095

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