A distopia provocada. Uma leitura sobre a formação docente e a atenção à escolarização de pessoas com deficiência

Shirley Silva, Cesar Claudinei Zago

Resumo


O presente artigo tem como intencionalidade apresentar o cotejamento realizado entre as diretrizes curriculares para a formação docente e as diretrizes de operacionalização de atenção direcionada às deficiências. Considerando que nas diretrizes operacionais para o atendimento educacional especializado instituem-se, em seu corpus, o papel e a função do docente que atuará nesse atendimento, consequentemente implicam em uma proposta de formação para tal. Consideramos, ainda, que o cotejamento, imperioso nas reflexões que buscam problematizar o cenário sobre a qual a formação se materializa nesse campo, permitiu aproximar, por meio dos dispositivos teórico-discursivos de tais documentos, a uma situação que denominamos de nexo-desconexo, pois tanto não se compatibilizam em termos conceituais, como em termos da relação entre as diretrizes da formação com a ação docente, propriamente dita. Visando não reiterar o embaçamento que a utilização de determinados enunciados provoca, adotamos como referência para a discussão “direito à escolarização, atenção direcionada às deficiências e roteiros”. A partir dessa perspectiva, o texto apresenta incialmente como esse nexo-desconexo se insere em uma discussão mais ampliada daquela que responsabiliza a escola e a docência pela superação das desigualdades, potencializada quando se refere às deficiências, o que vem imprimindo à docência a figura da onipotência. Tomando a análise do discurso crítica apresentamos a análise propriamente dos documentos oficiais, posteriormente a um breve panorama da amplitude da discussão acadêmica sobre a formação docente, reiterando a complexidade da temática. Essa discussão nos leva a afirmar que da docência tem sido esperado um papel de onipotência, ainda, que o nexo-desconexo permite aludir a uma situação de distopia, especialmente quando pensamos em uma formação que tenha superado a dicotomia o “nós” e o “eles” ou o “comum” e o “especial”.


Palavras-chave


Formação Docente; Diretrizes Curriculares; Pessoas com Deficiência; Análise do Discurso; Distopia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18316/recc.v24i3.4597

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