Educação Científica e Negação da Ciência

Rodrigo de Siqueira Bicudo, Ricardo Roberto Plaza Teixeira

Resumo


Este artigo procura investigar os impactos dos movimentos de negação da ciência para a sociedade e as suas consequências na área da educação. As similaridades entre ciência e democracia são analisadas, junto com as formas pelas quais os movimentos de negação destas duas instituições se valeram de mecanismos existentes nas mídias sociais para adquirir mais destaque a partir da segunda metade da década de 2010. A importância de aprofundar o debate sobre os modos usados pela ciência para compreender e explicar a realidade é enfatizada, de forma a provocar uma reflexão sobre os desafios colocados, no âmbito da educação científica, pelos movimentos de negação da ciência mais notórios existentes atualmente, sobre temas tais como: o aquecimento global, a eficácia das vacinas e o formato da Terra. Certas conexões dos movimentos de negação da ciência com o crescimento da produção de notícias falsas e com o conceito de pós-verdade são apresentadas. Esse trabalho analisa também a forma como a expansão pelas redes sociais de boatos e de vídeos que negam a ciência está associada à dinâmica dos movimentos anticiência e à percepção pública acerca do trabalho realizado por cientistas.

Palavras-chave


Educação Científica; História da Ciência; Divulgação Científica; Anticiência; Democratização do Conhecimento.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18316/recc.v27i1.8058

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